Palliative Performance Scale (PPS)
A Palliative Performance Scale (PPS) é um instrumento observacional que classifica o estado funcional do doente em cuidados paliativos em onze níveis (0 a 100%), avaliando de forma combinada a deambulação, a atividade e evidência de doença, o autocuidado, a ingestão alimentar e o nível de consciência. É amplamente utilizada por médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde para comunicar de forma objetiva o estado funcional, apoiar decisões de referenciação e orientar o planeamento de cuidados em doentes adultos com doença avançada, oncológica ou não oncológica.
Indicações. A PPS está indicada na avaliação seriada do estado funcional de doentes adultos com doença avançada, progressiva e limitante da vida, oncológica ou não oncológica, em qualquer contexto assistencial (internamento, hospital de dia, domicílio, unidade de cuidados paliativos ou lar). É útil para descrever de forma reprodutível o desempenho funcional em equipa multidisciplinar, apoiar a decisão de referenciação para cuidados paliativos, documentar a trajetória de declínio funcional ao longo do tempo e contribuir, em conjunto com outros dados clínicos, para a estimativa prognóstica.
Contraindicações e limitações de aplicação. A PPS não deve ser utilizada como único critério de decisão clínica (por exemplo, elegibilidade para cuidados paliativos ou estimativa prognóstica isolada), devendo ser integrada no juízo clínico global. Não foi validada para a população pediátrica. Não é aplicável a doentes em morte cerebral ou em situações agudas reversíveis não relacionadas com doença progressiva de base (por exemplo, descompensação aguda transitória de uma condição estável).
A PPS é tradicionalmente pontuada por leitura horizontal de uma tabela: para cada nível, percorre-se a linha da esquerda para a direita até encontrar o conjunto de características que melhor se adequa ao doente. Esta ferramenta reproduz esse método pedindo-lhe que responda, item a item, aos cinco domínios pela mesma ordem de prioridade da escala original — Deambulação, Nível de atividade e evidência de doença, Autocuidado, Capacidade de ingestão alimentar e Nível de consciência — sendo as colunas mais à esquerda mais determinantes do que as colunas mais à direita.
Após responder aos cinco itens, o algoritmo calcula o nível PPS combinando as respostas com o mesmo peso decrescente da esquerda para a direita. As pontuações variam sempre em intervalos de 10%. Quando as respostas do doente não convergem exatamente para um único nível — por exemplo, quando os parâmetros se distribuem por dois níveis adjacentes — a ferramenta apresenta as possibilidades em causa, cabendo ao profissional decidir, com base no juízo clínico e na maior relevância dos itens mais à esquerda, qual o nível que melhor representa o doente no seu todo. Não deve ser atribuído um nível intermédio (por exemplo, 45%).
Exemplo: um doente que passa a maior parte do dia sentado ou deitado por fadiga relacionada com doença avançada, necessitando de apoio considerável para deambular mesmo pequenas distâncias, mas que mantém consciência e ingestão alimentar normais, corresponde a uma pontuação PPS de 50%.
A atribuição do nível PPS envolve sempre algum grau de julgamento clínico, sobretudo quando os parâmetros do doente não se enquadram integralmente num único nível, o que pode introduzir variabilidade entre observadores, ainda que os estudos de fiabilidade publicados mostrem, em geral, boa concordância inter e intraobservador.
A escala descreve o estado funcional num determinado momento e não deve ser interpretada isoladamente como estimativa prognóstica de sobrevida; a relação entre o nível PPS e o tempo de sobrevida varia consideravelmente consoante o diagnóstico de base, a trajetória da doença (oncológica versus não oncológica) e o contexto assistencial.
A escala não incorpora diretamente sintomas não controlados, achados laboratoriais ou comorbilidades, pelo que deve ser utilizada em complemento, e não em substituição, de uma avaliação clínica global. É importante assegurar que a avaliação reflete o estado funcional habitual do doente e não uma alteração transitória e potencialmente reversível.
| Nível PPS | Deambulação | Nível de atividade e evidência de doença | Autocuidado | Capacidade de ingestão alimentar | Nível de consciência |
|---|---|---|---|---|---|
| 100% | Total | Atividade e trabalho normais; sem evidência de doença | Completo | Normal | Total |
| 90% | Total | Atividade e trabalho normais; alguma evidência de doença | Completo | Normal | Total |
| 80% | Total | Atividade normal realizada com esforço; alguma evidência de doença | Completo | Normal ou reduzida | Total |
| 70% | Diminuída | Incapaz de executar o trabalho habitual; doença significativa | Completo | Normal ou reduzida | Total |
| 60% | Diminuída | Incapaz de realizar hobbies e atividades domésticas; doença significativa | Necessita de apoio pontual | Normal ou reduzida | Total ou confusão |
| 50% | Maioritariamente sentado ou deitado | Incapaz de executar qualquer trabalho; doença extensa | Necessita de apoio considerável | Normal ou reduzida | Total ou confusão |
| 40% | Maioritariamente deitado | Incapaz de fazer a maioria das atividades; doença extensa | Necessita de apoio quase completo | Normal ou reduzida | Total ou sonolência, com ou sem confusão |
| 30% | Acamado | Incapaz de fazer qualquer atividade; doença extensa | Totalmente dependente | Normal ou reduzida | Total ou sonolência, com ou sem confusão |
| 20% | Acamado | Incapaz de fazer qualquer atividade; doença extensa | Totalmente dependente | Mínima, a goles | Total ou sonolência, com ou sem confusão |
| 10% | Acamado | Incapaz de fazer qualquer atividade; doença extensa | Totalmente dependente | Apenas cuidados orais | Sonolência ou coma, com ou sem confusão |
| 0% | Morte | ||||
Referências:
Anderson F, Downing GM, Hill J, Casorso L, Lerch N. Palliative performance scale (PPS): a new tool. J Palliat Care. 1996;12(1):5-11.
Victoria Hospice Society. Palliative Performance Scale (PPSv2), versão 2. Victoria Hospice Society; 2001.
Sereno S, Matias D, Trindade I, Ressurreição J, Araújo R, Fernandes S, Afonso T, Capelas ML. PPS PT – Escala de Avaliação do Desempenho do Doente em Cuidados Paliativos (versão portuguesa validada). Lisboa: Observatório Português dos Cuidados Paliativos; 2022.
