CURB-65 / CRB-65 — Avaliação de Gravidade da Pneumonia Adquirida na Comunidade
As escalas CURB-65 e CRB-65 são instrumentos de estratificação de risco de mortalidade utilizados na avaliação de adultos com pneumonia adquirida na comunidade (PAC), apoiando a decisão sobre o local de tratamento mais adequado — ambulatório, internamento hospitalar ou cuidados intensivos. Aplicam-se em contexto de urgência e cuidados de saúde primários, complementando sempre o juízo clínico.
As escalas CURB-65 e CRB-65 estão indicadas na avaliação inicial de adultos com diagnóstico de pneumonia adquirida na comunidade, para apoiar a decisão sobre o local de tratamento (ambulatório, internamento em enfermaria ou necessidade de cuidados intensivos). A CRB-65, por não exigir determinação da ureia sérica, é particularmente adequada aos cuidados de saúde primários e a contextos de urgência sem acesso imediato a análises laboratoriais; a CURB-65 acrescenta maior poder discriminativo quando a ureia está disponível.
Não devem ser utilizadas como critério isolado de decisão, em pneumonia associada a cuidados de saúde, pneumonia nosocomial, doentes imunodeprimidos, grávidas ou crianças, populações não incluídas nos estudos de derivação e validação original.
Cada critério presente vale 1 ponto. Se a ureia sérica estiver disponível, utiliza-se a CURB-65 (pontuação de 0 a 5); caso contrário, utiliza-se a CRB-65 (pontuação de 0 a 4), omitindo o critério da ureia.
- Confusão (C): estado confusional agudo de novo, avaliado por desorientação em pessoa, espaço ou tempo, ou pontuação reduzida em teste mental abreviado (ex.: AMTS ≤ 8).
- Ureia (U): apenas na CURB-65 — ureia sérica superior a 7 mmol/L (aproximadamente 42 mg/dL).
- Frequência respiratória (R): frequência respiratória igual ou superior a 30 ciclos por minuto.
- Pressão arterial (B): pressão arterial sistólica inferior a 90 mmHg ou pressão arterial diastólica igual ou inferior a 60 mmHg.
- Idade (65): idade igual ou superior a 65 anos.
Se o campo da ureia for deixado em branco, esta calculadora aplica automaticamente a CRB-65.
As escalas não incorporam parâmetros de oxigenação, carga de comorbilidades, envolvimento radiológico multilobar nem fatores sociais e de suporte domiciliário, pelo que um resultado de baixo risco não dispensa a avaliação clínica global. A CRB-65 tende a subestimar a gravidade em doentes mais jovens com hipoxemia significativa ou descompensação de comorbilidades.
As coortes de derivação e validação original foram maioritariamente hospitalares, pelo que a extrapolação directa para o contexto ambulatorial deve ser feita com prudência. A decisão final sobre o local de tratamento deve sempre ter em conta o juízo clínico, para além da pontuação obtida.
| Pontuação | Categoria de risco | Orientação clínica |
|---|---|---|
| 0–1 | Baixo risco | Tratamento ambulatorial habitualmente adequado, salvo fatores clínicos ou sociais que justifiquem internamento. |
| 2 | Risco moderado | Considerar internamento hospitalar de curta duração ou vigilância ambulatorial estruturada e reavaliação precoce. |
| 3–5 | Risco elevado | Internamento hospitalar recomendado; ponderar avaliação para cuidados intensivos, sobretudo com pontuação de 4–5. |
| Pontuação | Categoria de risco | Orientação clínica |
|---|---|---|
| 0 | Baixo risco | Tratamento ambulatorial habitualmente adequado, salvo fatores clínicos ou sociais que justifiquem internamento. |
| 1–2 | Risco moderado | Considerar referenciação hospitalar para avaliação e decisão sobre internamento. |
| 3–4 | Risco elevado | Referenciação hospitalar urgente; ponderar avaliação para cuidados intensivos. |
Referências bibliográficas:
1. Lim WS, van der Eerden MM, Laing R, et al. Defining community acquired pneumonia severity on presentation to hospital: an international derivation and validation study. Thorax. 2003;58(5):377-382.
2. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 045/2011: Antibioterapia na Pneumonia Adquirida na Comunidade em Adultos Imunocompetentes. Lisboa: DGS; 2011 (atualizações subsequentes).
3. National Institute for Health and Care Excellence. Pneumonia in adults: diagnosis and management. NICE guideline [CG191]. London: NICE.
4. British Thoracic Society. BTS guidelines for the management of community acquired pneumonia in adults: update 2009. Thorax. 2009;64(Suppl 3):iii1-iii55.
