Índice de Gravidade de Pneumonia (PSI/Fine Score)
O Índice de Gravidade de Pneumonia (PSI/Fine Score) estratifica o risco de mortalidade a 30 dias em adultos com pneumonia adquirida na comunidade, apoiando a decisão sobre o local de tratamento (ambulatório, internamento ou cuidados intensivos). Aplica-se a doentes imunocompetentes com diagnóstico clínico-radiológico confirmado, combinando dados demográficos, comorbilidades, exame físico e achados laboratoriais/radiográficos.
O PSI destina-se a adultos (≥ 18 anos) com diagnóstico clínico e radiográfico de pneumonia adquirida na comunidade (PAC), imunocompetentes, para estratificação do risco de mortalidade a 30 dias e apoio à decisão sobre o local de tratamento (ambulatório, internamento em enfermaria ou unidade de cuidados intensivos), de acordo com a norma da DGS sobre antibioterapia na PAC do adulto.
Não deve ser aplicado isoladamente em doentes imunocomprometidos, grávidas, doentes com pneumonia de aspiração predominante como diagnóstico primário, ou como único critério de decisão clínica — deve complementar, e não substituir, o julgamento clínico.
O cálculo decorre em duas etapas. Na primeira, verifica-se se o doente tem idade ≤ 50 anos e ausência de todas as comorbilidades e alterações do exame físico listadas (neoplasia ativa, doença hepática, insuficiência cardíaca congestiva, doença cerebrovascular, doença renal, alteração do estado mental, frequência respiratória ≥ 30/min, pressão arterial sistólica < 90 mmHg, temperatura < 35°C ou ≥ 40°C, frequência cardíaca ≥ 125/min); se todos estes critérios forem cumpridos, o doente é classificado automaticamente em Classe I, sem necessidade de dados laboratoriais.
Caso contrário, procede-se ao cálculo pontuado: somam-se os pontos correspondentes à idade (idade em anos no homem; idade menos 10 na mulher), institucionalização, comorbilidades, achados do exame físico e achados laboratoriais/radiográficos preenchidos no formulário. A soma total determina a classe de risco (II a V), conforme a tabela de classificação.
O PSI atribui peso elevado à idade e pode subestimar a gravidade em doentes jovens sem comorbilidades mas com hipoxemia significativa, instabilidade social ou incapacidade de autocuidado, fatores que também condicionam a decisão de internamento.
A escala não incorpora fatores socioeconómicos, adesão terapêutica previsível nem a capacidade de hidratação ou alimentação oral, pelo que a decisão final sobre o local de tratamento deve integrar sempre a avaliação clínica global e não apenas a classe de risco calculada.
| Classe | Pontuação | Mortalidade estimada a 30 dias | Recomendação de local de tratamento |
|---|---|---|---|
| I | Não calculada — critérios de baixo risco cumpridos (idade ≤ 50 anos, sem comorbilidades nem alterações do exame físico listadas) | 0,1% | Ambulatório |
| II | ≤ 70 pontos | 0,6% | Ambulatório |
| III | 71–90 pontos | 0,9% – 2,8% | Observação ou internamento de curta duração |
| IV | 91–130 pontos | 8,2% – 9,3% | Internamento hospitalar |
| V | > 130 pontos | 27% – 31% | Internamento hospitalar; ponderar cuidados intensivos |
Referências: Direção-Geral da Saúde. Norma nº 045/2011 — Antibioterapia da Pneumonia Adquirida na Comunidade em Adultos Imunocompetentes. Lisboa: DGS.
Fine MJ, Auble TE, Yealy DM, et al. A prediction rule to identify low-risk patients with community-acquired pneumonia. N Engl J Med. 1997;336(4):243-250.
