Escala de Depressão Geriátrica (GDS-15)
A Escala de Depressão Geriátrica (GDS-15) e um instrumento de rastreio de sintomatologia depressiva, de resposta dicotómica (Sim/Nao), desenvolvido especificamente para a população idosa. Aplica-se em contexto de cuidados de saúde primários, ambulatório de geriatria/psiquiatria, internamento e estruturas residenciais, a pessoas com 65 ou mais anos e sem défice cognitivo relevante.
Indicações: rastreio de sintomas depressivos em pessoas com 65 ou mais anos, em cuidados de saúde primários, consulta de geriatria/psiquiatria/neurologia, internamento hospitalar ou em estruturas residenciais para pessoas idosas (ERPI). Particularmente útil na deteção de depressão associada a queixas somáticas inespecíficas, comuns nesta faixa etária, e na monitorização evolutiva de sintomas depressivos já identificados.
Contraindicações e limitações de aplicação: não deve ser utilizada como instrumento diagnóstico isolado, nem em pessoas com défice cognitivo moderado a grave (a validade do instrumento diminui significativamente nestes casos, sendo preferível a heteroavaliação por informador ou o recurso a instrumentos observacionais). Não substitui a avaliação clínica estruturada nem a avaliação específica de risco suicida.
A escala deve ser administrada de preferência por entrevista (heteroaplicação), lendo cada questão exatamente como está formulada, sem reformular ou explicar o seu significado. Em pessoas com boa capacidade de leitura e sem limitações sensoriais, pode ser autoadministrada.
As respostas referem-se a como a pessoa se tem sentido predominantemente na última semana. Cada questão tem apenas duas opções de resposta possíveis (Sim/Não); não deve ser oferecida uma opção intermédia. Todas as 15 questões devem ser respondidas para se obter uma pontuação válida.
A pontuação final resulta do somatório dos pontos atribuídos a cada resposta, variando entre 0 e 15 pontos, sendo a pontuação mais elevada indicativa de maior gravidade sintomática.
A GDS-15 é um instrumento de rastreio e não um instrumento de diagnóstico; uma pontuação sugestiva de depressão deve ser sempre confirmada por avaliação clínica estruturada.
A sensibilidade e a especificidade do instrumento variam consoante o ponto de corte considerado e as características da amostra estudada. A validade encontra-se estabelecida sobretudo para pessoas idosas na comunidade, cognitivamente preservadas; em contexto de multimorbilidade, a distinção entre sintomas somáticos da doença física e sintomas depressivos pode ser difícil.
Respostas afirmativas em itens relacionados com desesperança ou vazio existencial (questões 3 e 14) merecem atenção clínica adicional, mas a escala não avalia diretamente ideação ou risco suicida, pelo que não dispensa uma avaliação específica desse risco quando clinicamente indicada.
| Pontuação | Classificação | Implicação clínica |
|---|---|---|
| 0-5 pontos | Sem sintomatologia depressiva significativa | Rastreio negativo. Reavaliar se surgirem novos fatores de risco (luto, isolamento, doença aguda, perda funcional). |
| 6-10 pontos | Depressão ligeira provavel | Rastreio positivo para sintomatologia depressiva ligeira. Recomenda-se avaliação clínica complementar para confirmação diagnóstica e exclusão de causas orgânicas ou farmacológicas. |
| 11-15 pontos | Depressão grave provavel | Rastreio positivo para sintomatologia depressiva grave. Recomenda-se avaliação psiquiátrica/clínica prioritária, incluindo avaliação específica de risco suicida. |
Referências bibliográficas:
1. Yesavage JA, Brink TL, Rose TL, et al. Development and validation of a geriatric depression screening scale: a preliminary report. J Psychiatr Res. 1982-1983;17(1):37-49.
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3. Barreto J, Leuschner A, Santos F, Sobral M. Escala de depressão geriátrica: tradução portuguesa da Geriatric Depression Scale. In: Mendonça A, Guerreiro M, eds. Escalas e Testes na Demência. Lisboa: Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demência; 2008. p. 37-43.
4. Apostolo JLA, Loureiro LMJ, Reis IAC, Silva IAC, Cardoso DFB, Sfetcu R. Contribuição para a adaptação da Geriatric Depression Scale-15 para a língua portuguesa. Rev Enferm Ref. 2014;IV(3):65-73.
