M-CHAT — Modified Checklist for Autism in Toddlers
A M-CHAT (Modified Checklist for Autism in Toddlers) é um instrumento de rastreio, preenchido pelos pais ou cuidadores, para deteção precoce de sinais de perturbação do espetro do autismo em crianças entre os 16 e os 30 meses. Consta do Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil, sendo aplicada em contexto de vigilância de saúde infantil (consulta do pediatra ou médico de família), permitindo identificar crianças que beneficiam de avaliação diagnóstica especializada. Composta por 23 itens de resposta sim/não, não substitui a avaliação clínica nem estabelece um diagnóstico.
Indicações: rastreio de perturbação do espetro do autismo (PEA) em crianças dos 16 aos 30 meses, idealmente no contexto das consultas de vigilância de saúde infantil (por exemplo, aos 18 e/ou 24 meses), ou sempre que exista preocupação parental ou do profissional de saúde quanto ao desenvolvimento socio-comunicativo da criança.
Deve ser preenchida pelos pais ou cuidador principal, com base no comportamento habitual da criança, e não numa observação pontual.
Contraindicações/limitações de aplicação: não deve ser utilizada como instrumento diagnóstico isolado, nem em crianças fora da faixa etária validada. Em crianças com défice sensorial não corrigido (visual ou auditivo grave), perturbação motora significativa ou prematuridade extrema não corrigida para a idade, os resultados devem ser interpretados com cautela adicional, considerando a possibilidade de falsos positivos.
O questionário deve ser entregue aos pais ou cuidador para preenchimento antes ou durante a consulta, respondendo a cada item com base no comportamento habitual e atual da criança (não apenas num episódio isolado).
Cada item tem resposta "Sim" ou "Não". As respostas devem refletir a experiência espontânea dos pais com a criança no dia a dia, sem indução por parte do profissional de saúde.
Após o preenchimento, o profissional de saúde calcula o número total de itens falhados (resposta indicativa de risco) e verifica quantos desses itens correspondem aos 6 itens críticos (itens 2, 7, 9, 13, 14 e 15), que têm maior poder discriminativo para PEA.
Crianças com resultado de rastreio positivo devem ser encaminhadas para avaliação de desenvolvimento e, se aplicável, para consulta de referência em desenvolvimento infantil/pedopsiquiatria/neurodesenvolvimento, sem aguardar por confirmação diagnóstica antes de iniciar intervenção precoce.
A M-CHAT é um instrumento de rastreio e não de diagnóstico: um resultado positivo não confirma PEA, e um resultado negativo não a exclui de forma definitiva, sobretudo se persistir preocupação parental ou clínica.
A versão original apresenta uma taxa relevante de falsos positivos quando aplicada isoladamente, sem entrevista de follow-up às respostas falhadas (procedimento incorporado na versão revista M-CHAT-R/F, não reproduzida neste instrumento).
Utiliza-se a tradução portuguesa constante do Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil (Direção-Geral da Saúde), da autoria da Unidade de Autismo do Centro de Desenvolvimento da Criança do Hospital Pediátrico Carmona da Mota, Coimbra, com autorização de Diana Robins.
O desempenho do instrumento pode ser reduzido em crianças com défices sensoriais ou motores não corrigidos, prematuridade extrema, ou em contextos de privação psicossocial significativa.
| Resultado | Critério de pontuação | Implicação clínica |
|---|---|---|
| Rastreio negativo | Menos de 3 itens falhados no total, e menos de 2 itens críticos falhados | Baixo risco de PEA nesta avaliação. Manter vigilância de desenvolvimento nas consultas seguintes; reavaliar se surgir preocupação parental ou clínica. |
| Rastreio positivo (risco aumentado) | 3 ou mais itens falhados no total, ou 2 ou mais dos 6 itens críticos falhados (itens 2, 7, 9, 13, 14, 15) | Encaminhar para avaliação de desenvolvimento e para consulta de referência (desenvolvimento infantil/pedopsiquiatria/neurodesenvolvimento). Considerar referenciação para intervenção precoce sem aguardar confirmação diagnóstica. |
Referências:
Kleinman JM, Robins DL, Ventola PE, et al. The modified checklist for autism in toddlers: a follow-up study investigating the early detection of autism spectrum disorders. J Autism Dev Disord. 2008;38(5):827-839.
Robins DL. Screening for autism spectrum disorders in primary care settings. Autism. 2008;12(5):481-500.
Robins DL, Fein D, Barton ML, Green JA. The Modified Checklist for Autism in Toddlers: an initial study investigating the early detection of autism and pervasive developmental disorders. J Autism Dev Disord. 2001;31(2):131-144.
Direção-Geral da Saúde. Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil. Lisboa: DGS, 2013. M-CHAT — tradução de Robins D, Fein D, Barton M (1999), pela Unidade de Autismo, Centro de Desenvolvimento da Criança, Hospital Pediátrico Carmona da Mota, Coimbra, com autorização de Diana Robins.

