Escala de Zarit — Sobrecarga do Cuidador
A Escala de Zarit — Sobrecarga do Cuidador (Zarit Burden Interview, versão portuguesa validada por Sequeira, 2010) quantifica a sobrecarga subjetiva percecionada pelo cuidador informal de uma pessoa idosa com dependência física ou mental. É amplamente utilizada em contexto de cuidados continuados integrados, psicogeriatria e cuidados paliativos domiciliários para identificar cuidadores em risco e orientar a referenciação para suporte psicossocial.
Indicações: avaliação da sobrecarga subjetiva de cuidadores informais (familiares ou não) de idosos com dependência física ou mental, nomeadamente demência, sequelas de AVC, doença crónica avançada ou situação paliativa. Aplicável em cuidados de saúde primários, equipas de cuidados continuados integrados, cuidados paliativos domiciliários e consultas de psicogeriatria, como instrumento de rastreio e de monitorização ao longo do tempo.
Não deve ser utilizada: como instrumento diagnóstico isolado de perturbação mental no cuidador; em cuidadores formais remunerados fora do contexto para o qual foi validada; nem aplicada na presença da pessoa cuidada, dado o conteúdo sensível das questões.
A escala é constituída por 22 afirmações que o cuidador deve responder tendo em conta a frequência com que se aplicam à sua situação, numa escala de Likert de 1 a 5 (1 = Nunca; 2 = Quase nunca; 3 = Às vezes; 4 = Muitas vezes; 5 = Quase sempre).
Pode ser autoadministrada ou administrada por um profissional de saúde em entrevista, preferencialmente a sós com o cuidador, sem a presença da pessoa cuidada. Todas as questões devem ser respondidas; a pontuação total resulta da soma direta dos 22 itens, variando entre 22 e 110 pontos, sendo que valores mais elevados correspondem a maior perceção de sobrecarga.
Trata-se de uma medida de sobrecarga subjetiva, pelo que o resultado reflete a perceção do cuidador num determinado momento e pode ser influenciado pelo seu estado emocional, características de personalidade e contexto sociocultural, não devendo ser interpretado isoladamente como diagnóstico de perturbação psiquiátrica.
Os pontos de corte não substituem a avaliação clínica global do cuidador nem do agregado familiar. Recomenda-se a reavaliação periódica, sobretudo perante alterações no estado de dependência da pessoa cuidada ou nas circunstâncias do cuidador, e a articulação com respostas de suporte social e psicoeducação sempre que se identifique sobrecarga.
| Pontuação | Categoria | Implicação clínica |
|---|---|---|
| 22 – 45 | Sem sobrecarga | Impacto do cuidar percecionado como reduzido; reforçar informação e disponibilidade de suporte se necessário. |
| 46 – 56 | Sobrecarga ligeira | Vigilância ativa; considerar encaminhamento para grupos de apoio, psicoeducação e reavaliação periódica. |
| 57 – 110 | Sobrecarga intensa | Risco elevado de exaustão do cuidador; recomenda-se avaliação mais aprofundada, articulação com equipa de cuidados continuados/apoio social e ponderação de descanso do cuidador. |
Referências:
Zarit SH, Reever KE, Bach-Peterson J. Relatives of the impaired elderly: correlates of feelings of burden. The Gerontologist. 1980;20(6):649-655.
Sequeira C. Adaptação e validação da Escala de Sobrecarga do Cuidador de Zarit. Referência. 2010;2(12):9-16.
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