Questionário STOP-BANG
O Questionário STOP-BANG é uma escala de rastreio validada para Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), composta por 8 itens dicotómicos (Sim/Não). Aplicável a adultos em contexto pré-operatório, clínica de sono ou cuidados primários. Permite estratificar o risco em baixo, moderado ou alto, orientando a necessidade de estudo do sono.
Indicações: O STOP-BANG está indicado como instrumento de rastreio de AOS em adultos (≥18 anos) nos seguintes contextos: avaliação pré-anestésica e pré-operatória (especialmente em cirurgia eletiva), consulta de medicina geral e familiar, consulta de medicina interna, pneumologia, otorrinolaringologia e clínicas especializadas de medicina do sono. É particularmente útil para identificar doentes que beneficiam de encaminhamento para polissonografia ou poligrafia cardiorrespiratória.
Contraindicações e limitações de aplicação: A escala não deve ser utilizada como instrumento diagnóstico isolado — o diagnóstico definitivo de AOS requer confirmação por estudo do sono (polissonografia nível I ou II, ou poligrafia nível III). Não está validada para uso pediátrico (idade < 18 anos). Em grávidas, os pontos de corte para perímetro cervical e IMC podem necessitar de adaptação clínica. Não substitui a avaliação clínica completa, incluindo história clínica detalhada e exame objetivo.
Administração: O questionário pode ser autopreenchido pelo doente ou administrado pelo profissional de saúde. Cada uma das 8 questões tem resposta dicotómica (Sim = 1 ponto / Não = 0 pontos). A pontuação total resulta da soma de todas as respostas positivas, variando entre 0 e 8 pontos.
Itens S e T: Referem-se a sintomas habitualmente presentes — "Ressona de forma audível" e "Sente-se frequentemente cansado/a durante o dia". Deve ser referida a frequência habitual e não episódios pontuais.
Item O: Diz respeito a apneias observadas por um familiar ou parceiro/a durante o sono do doente. Em doentes que dormem sozinhos, este item deve ser respondido com base em episódios previamente reportados por terceiros.
Item P: Inclui hipertensão arterial diagnosticada e sob tratamento farmacológico ou não farmacológico.
Item B (IMC): O ponto de corte é IMC > 35 kg/m². O cálculo deve ser efetuado com base no peso e altura atuais (IMC = peso [kg] / altura² [m]).
Item A (Idade): Ponto de corte: idade superior a 50 anos.
Item N (Pescoço): O perímetro cervical deve ser medido ao nível da cartilagem cricóide, com fita métrica inelástica. Ponto de corte: > 40 cm (independentemente do sexo, segundo a versão original).
Item G (Género): Sexo masculino à nascença pontuado como Sim.
Sensibilidade vs. especificidade: O STOP-BANG apresenta elevada sensibilidade (90–100% para AOS moderada-grave com score ≥ 3), mas especificidade moderada (40–60%), condicionando uma taxa de falsos positivos relevante. Não deve ser utilizado de forma isolada para excluir ou confirmar AOS.
Enviesamento por género: A escala tende a sobrestimar o risco em homens e a subestimá-lo em mulheres, dado que itens como ressonar audível e apneias observadas são referidos com menor frequência pelas doentes do sexo feminino, mesmo na presença de AOS clinicamente significativa. Considerar limiar de 2 pontos em mulheres para rastreio.
Populações com validade incerta: A escala não foi adequadamente validada em populações pediátricas, grávidas, doentes com insuficiência cardíaca avançada ou doença pulmonar obstrutiva grave, onde as manifestações clínicas da AOS podem diferir substancialmente.
Contexto perioperatório: Em doentes de alto risco (score ≥ 5) submetidos a cirurgia sob anestesia geral, recomenda-se precaução redobrada na gestão das vias aéreas, monitorização pós-operatória prolongada e evicção de opioides em doses elevadas, de acordo com as recomendações da Society of Anesthesia and Sleep Medicine (SASM).
Nota sobre diagnóstico diferencial: Sonolência diurna excessiva e ressonar podem ter etiologias alternativas (narcolepsia, hipersónia idiopática, síndrome de apneia central). Um score elevado orienta para investigação complementar, mas não é diagnóstico de AOS.
| Pontuação | Categoria | Prevalência estimada de AOS | Orientação clínica |
|---|---|---|---|
| 0 – 2 | Baixo Risco | ~12–16% | Sem indicação de avaliação imediata de AOS. Reavaliar perante novos sintomas ou agravamento. |
| 3 – 4 | Risco Moderado | ~30–50% | Considerar avaliação complementar (poligrafia ou polissonografia). Ponderar encaminhamento para consulta de medicina do sono, sobretudo na presença de comorbilidades cardiovasculares ou metabólicas. |
| 5 – 8 | Alto Risco | ~50–80% | Elevada probabilidade de AOS moderada a grave. Encaminhar com carácter prioritário para estudo do sono. Em contexto perioperatório, aplicar precauções específicas de acordo com as recomendações da SASM. |
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