Escala de Centor Modificada (McIsaac)
A Escala de Centor Modificada (McIsaac) é uma ferramenta de decisão clínica que estima a probabilidade de faringite/amigdalite aguda por Streptococcus do grupo A em doentes com odinofagia, orientando a necessidade de teste diagnóstico ou tratamento empírico. Aplicável a adultos e crianças a partir dos 3 anos, é amplamente utilizada em cuidados de saúde primários e serviços de urgência para racionalizar o uso de antibioterapia.
Indicações: doentes, adultos ou crianças com idade ≥3 anos, que se apresentam com odinofagia aguda de início recente, para estratificar a probabilidade pré-teste de faringite/amigdalite aguda por Streptococcus do grupo A (SGA) e orientar a decisão de solicitar Teste de Diagnóstico Antigénico Rápido (TDAR), cultura da orofaringe ou instituir antibioterapia empírica.
Não deve ser utilizada quando:
- Idade inferior a 3 anos (a escala não foi validada nesta faixa etária e a incidência de faringite por SGA é baixa; predominam etiologias víricas atípicas);
- Suspeita de complicação supurativa (abcesso periamigdalino ou retrofaríngeo, epiglotite) — nestes casos a orientação clínica e imagiológica imediata prevalece sobre qualquer escala de risco;
- Doentes imunossuprimidos, nos quais a apresentação clínica e o risco infecioso não são adequadamente estimados por esta ferramenta;
- Quadro clínico com sinais claramente sugestivos de etiologia vírica (conjuntivite, rinorreia, rouquidão, exantema, aftas orais, diarreia), em que a probabilidade de SGA é residual independentemente da pontuação.
A escala soma quatro critérios clínicos (cada um valendo 1 ponto se presente) a um ajuste pela idade do doente:
- Febre — história de temperatura >38 °C nos dias anteriores ou no momento da observação;
- Ausência de tosse — atribui-se 1 ponto quando o doente responde "Não" à pergunta "Tem tosse?", ou seja, quando não apresenta tosse associada ao quadro atual;
- Adenopatia cervical anterior dolorosa — hipertrofia ou dor à palpação dos gânglios cervicais anteriores;
- Hipertrofia ou exsudado amigdalino — observado ao exame objetivo da orofaringe;
- Ajuste por idade (McIsaac): +1 ponto dos 3 aos 14 anos; 0 pontos dos 15 aos 44 anos; -1 ponto a partir dos 45 anos.
A pontuação total varia entre -1 e 5 pontos. Cada critério deve ser avaliado com base na anamnese e exame objetivo atuais, não em episódios prévios. Após preenchimento de todos os campos, o resultado é calculado automaticamente, indicando a categoria de risco e a orientação diagnóstica/terapêutica sugerida.
A Escala de Centor Modificada estima uma probabilidade pré-teste e não substitui o julgamento clínico nem confirma o diagnóstico etiológico — mesmo pontuações elevadas não dispensam a confirmação por TDAR ou cultura sempre que esta esteja indicada segundo a orientação clínica local.
O desempenho da escala foi validado sobretudo em populações ambulatórias de cuidados primários e urgência, podendo sobrestimar o risco em contextos de baixa prevalência de SGA ou em períodos fora do pico epidemiológico sazonal (inverno/início da primavera).
A escala não incorpora fatores como exposição recente a contacto com SGA confirmado, epidemiologia local ou história pessoal/familiar de febre reumática, que podem justificar uma abordagem diagnóstica diferente da sugerida apenas pela pontuação.
| Pontuação | Categoria de risco | Probabilidade estimada de SGA | Orientação sugerida |
|---|---|---|---|
| ≤0 | Risco mínimo | 1–2,5% | Não testar; não tratar empiricamente |
| 1 | Risco baixo | 5–10% | Não testar rotineiramente; considerar caso a caso |
| 2 | Risco moderado | 11–17% | Considerar TDAR ou cultura da orofaringe |
| 3 | Risco moderado-alto | 28–35% | TDAR ou cultura da orofaringe recomendados |
| ≥4 | Risco alto | 51–53% | TDAR/cultura ou considerar tratamento empírico |
Referências:
McIsaac WJ, White D, Tannenbaum D, Low DE. A clinical score to reduce unnecessary antibiotic use in patients with sore throat. CMAJ. 1998;158(1):75-83.
McIsaac WJ, Kellner JD, Aufricht P, Vanjaka A, Low DE. Empirical validation of guidelines for the management of pharyngitis in children and adults. JAMA. 2004;291(13):1587-95.
Direção-Geral da Saúde. Diagnóstico e Tratamento da Amigdalite Aguda na Idade Pediátrica. Norma n.º 020/2012 de 26/12/2012.
